Deserção, um clamor pela paz!
Há cinco anos perdura a guerra entre Rússia e Ucrânia que serve bem aos interesses da indústria bélica. Governos europeus, coniventes com esta guerra que não corresponde a nenhum interesse do povo ucraniano e russo, ampliam orçamento para gastos militares. É a economia de guerra que mantém “respirando por aparelhos” um sistema de produção putrefato. E, neste caso, com aparelhos mortais. Centenas de milhares mortos e feridos, entre soldados e civis nos dois países, é o preço pago pelo povo para a caixa registradora do capitalismo.
É neste quadro que tanto na Ucrânia quanto na Rússia, cresce a tentativa de driblar o alistamento obrigatório e cresce o número de desertores. Nos dois casos é um clamor em favor da paz, como quem expressa o sentimento de que não tem porque matar ou morrer numa guerra que não é sua.
Abrir a porta para a paz: campanha em apoio aos desertores
Deserção, palavra, com sentido pejorativo, associada ao abandono de um dever ou convicção, nesta guerra ela é a verdadeira tradução do que interessa ao povo. Na Ucrânia, estima-se em 200 mil desertores. Na Rússia, com dados menos acessíveis, estima-se em 13 mil processos judiciais por abandono de posto ou deserção.
Na Europa, em contraposição à conivência de governos, desenvolve-se uma campanha em apoio aos desertores russos e ucranianos. Para garantir acolhida, abrigo, saúde e trabalho.
Um apelo lançado por militantes e intelectuais antiguerra já conta com adesões na Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Grécia, Reino Unido, Romênia e Suécia. O apelo exige dos governos:
- Reconhecer a recusa de participar na guerra (deserção e abandono não autorizados de posto) como um motivo legítimo para se obter o direito de asilo em cada um dos países e proteção da União Europeia (UE). Trata-se de um ato de consciência e de uma recusa a participar de crimes;
- Entregar documentos de viagem humanitários (salvo condutos) a pessoas sem passaporte, de modo que elas possam ficar em segurança na UE e encaminhar pedido de proteção;
- Informar amplamente a população russa das possibilidades de proteção, para que a deserção seja uma escolha realmente acessível, e não um ato desesperado;
E conclui “Cada recusa de proteção coloca uma vida em perigo. Cada porta aberta é uma chance para a paz e para transformações internas. A Europa deve abrir suas portas àquelas e àqueles que escolham a vida e a humanidade – e não reforçar a guerra e a repressão”
Nem Putin, nem Zelensky, nem Otan. Apoio aos desertores que não querem servir a estes senhores da guerra, só querem paz e sobreviver.
Misa Boito, membro do Comitê Nacional do DAP