Dr. Abu Safiya não pode morrer!

27 de dezembro de 2024: uma operaçãomilitar do Estado de Israel invade o Hospital Kamal Adwan, ao norte da faixa de Gaza, e sequestra seu diretor, o médico pediatra Dr. Abu Safiya. Este hospital era o único em condição de socorrer feridos, naquele momento de intensivo bombardeio genocida contra o povo palestino.

Julho de 2026: Dr. Abu foi transferido, em represália a seu recurso por sua libertação à Suprema Corte da Justiça de Estado, para a prisão de Ramon, no deserto de Negev, em Israel. Recurso negado e Abu punido por pedir justiça à Justiça! Em Ramon está numa solitária, sob tortura.

Além do Dr. Abu, outros 13 médicos palestinos estão prisioneiros. Pode-se supor o que passam onde 103 palestinos morreram vítimas de tortura na prisão desde 2023.

A situação do Dr. Abu, alertada por seu advogado, Nasser Odeh, é estarrecedora. A ponto do médico lhe dizer, em recente visita (onde o médico chegou com pés e pulsos acorrentados, com homens mascarados): “Esta é a última vez que você me verá… Eles me trouxeram aqui para me matar.” Sim esse é o objetivo de Israel na ação genocida contra um povo que resiste à opressão. Aliás, a destruição de hospitais e o sequestro de médicos é um item cientificamente planejado. Feridos não têm como serem atendidas, mães não têm condições seguras de parir, crianças não têm assistência. Assim, Israel vai contando cadáveres de um povo que quer fazer desaparecer.

O alerta do advogado do Dr. Abu sobre a condições de sua saúde – perda de consciência, sinais de tortura no corpo – foi divulgado pela organização Médicos pelos Direitos Humanos em Israel (PHRI, sigla em inglês). Isso reacendeu o movimento internacional já existente pela sua libertação. Na França, 19 deputados de vários partidos, apoiaram a reivindicação da PHRI exigindo “a libertação imediata do Dr. Abu e demais médicos palestinos de Gaza, antes que seja tarde demais”. Nos EUA (cujo governo é parceiro de Israel neste genocídio), parlamentares Democratas abraçaram a mesma exigência, assim como na Alemanha, parlamentares do SPD, Verdes e Partido da Esquerda.

O alerta da PHRI levou, em vários países, à manifestações, no último dia 10. Em Tel-Aviv, Nova Iorque, Estocolmo, Barcelona, Paris, Berlim, Lima, atos ou manifestos dirigidas às respectivas autoridades ressaltaram a urgência da sua libertação e dos demais 13 médicos. Nos EUA, a organização Médicos contra o Genocídio (DAG) publicou um manifesto onde afirma que “uniu-se a grupos judaicos antissionistas, profissionais de saúde e ativistas em uma ‘Hora de Ação’ conjunta, exigindo a libertação imediata do Dr. Hussam Abu Safiya, seus colegas detidos e todos os reféns palestinos”. O DAG responsabiliza “a Associação Médica de Israel por seu silêncio e suposta cumplicidade em relação à tortura e aos maus-tratos infligidos a profissionais de saúde palestinos detidos”.

Protesto em Barcelona em 16 de julho

Protesto em Estocolmo

Há poucos dias, o Sindicado dos Médicos de SP publicou uma nota onde “apoia a campanha da Anistia Internacional pela libertação do médico palestino Dr. Hussam Abu Safiya, diretor do Hospital Kamal Adwan, detido desde dezembro de 2024”.

O Diálogo Ação Petista, em 2025, publicou um manifesto pela libertação do Dr. Abu, com ampla adesão. Agora, é revigorar a campanha nesta urgente situação, o que o seu Comitê Nacional vai discutir.

Misa Boito, membro do Comitê Nacional do DAP

Leia também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *