Como foi a Jornada Continental em Defesa do Direito à Migração
As atividades da Jornada Continental aconteceram entre 8 e 14 de março com a participação de sindicatos, parlamentares, organizações populares, políticas e de direitos humanos.
A Jornada aconteceu no momento em que o ICE foi aumenta seu poder para expulsar os migrantes, delegando poderes às forças policiais locais, e infiltrando agentes do ICE em prisões, delegacias e até mesmo em campi universitários. A Jornada foi na semana seguinte ao anúncio pro Trump do “Escudo das Américas”, em uma reunião com 12 presidentes de países alinhados, que focou na luta contra as migrações, o “narcoterrorismo” e a influência chinesa. Colômbia, México e Brasil não foram convidados.
A Jornada também era em Defesa da Soberania Nacional, com a exigência de Liberdade para Maduro e Cilia Flores e em solidariedade ao povo cubano. A política de guerra do imperialismo agora com a guerra no Irã também esteve presente.
No Brasil, aconteceram manifestações de rua, audiências em casas legislativas e debates nas universidades em 11 Estados. No continente americano, foram registradas atividades em 10 países. Foram ações que buscaram ligar a resistência dos trabalhadores que ocorre em solo dos EUA com a América Latina.
Nesse sentido, a Jornada ressoou na região e cumpriu seu objetivo, avançando nos laços de solidariedade internacional efetiva na ação.
Atividades no continente
Nos EUA, Tristan Khal, do Comitê Internacional do DSA, os Socialistas Democráticos da América, enviou uma mensagem de apoio à Jornada. O GT de Migrantes organizou no dia 12 uma reunião online nacional sobre o tema. Na Universidade de Michigan, uma coalizão estudantil produziu um vídeo se associando à Jornada. Khal disse que “quando os empregadores podem obrigar alguém da Venezuela, Colômbia, Brasil ou México a trabalhar sem pagar e sem respeitar seus direitos, significa que podem fazer o mesmo com os cidadãos que nasceram aqui. Portanto, sentimos os ataques contra os trabalhadores migrantes como ataques contra nós mesmos. É um ataque contra toda a classe trabalhadora”.
Na Venezuela um debate promovido pelo CAIT (Comitê Autônomo e Independente de Trabalhadores) reuniu sindicalistas em Maracaibo. Segundo Alberto Salcedo em coletiva de imprensa: “Defendemos a migração como um direito humano fundamental, ao mesmo tempo que condenamos a perseguição política e o uso da força realizado pelo governo Trump que expulsam os trabalhadores dos EUA, inclusive venezuelanos. Condenamos o ataque à Venezuela e a guerra ao Irã.”

No México a atividade aconteceu na capital em frente à embaixada dos Estados Unidos com uma manifestação com a presença de vários sindicatos, organizações políticas e populares. A deputada Madalena Rosales, do Morena, enviou uma vídeo de apoio.
Na fronteira entre o México e os Estados Unidos, na duana entre Calexico (Califórnia – EUA) e Mexicali (Baixa Califórnia – MEX), foi realizada um ato em 14 de março, com a participação de grupos dos dois países. Um encontro com trabalhadores universitários e moradores também ocorreu em Hermosillo, capital do estado de Sonora.
No Caribe, 7 países participaram de uma conferência online – Dominicana, Haiti, Guadalupe, Martinica, Barbados, Santa Lucia e Guiana no dia 12.
Também houve atos no Panamá, no Peru, no Equador.
A Jornada no Brasil
Além das atividades relatadas no Boletim 64, outras deram sequência à Jornada na sexta (13) e sábado (14). Como no Rio de Janeiro, onde aconteceram atividades na Cinelândia, na capital, e em Volta Redonda. Em Brasília, onde os participantes se reuniram para um ato na frente da Embaixada dos EUA.

No Ceará, depois da tribuna livre no Campus do Itaperi (UECE), com presença de dezenas de alunos e de dirigentes sindicais, no último dia 11, um ato principal aconteceu no dia 14/3, no Centro Pastoral da Paróquia de São Raimundo no bairro do Rodolfo Teófilo, em Fortaleza. Durante o ato, o estudante da Unilab, Moisés Tavares, de Guiné-Bissau, relatou a luta dos estudantes africanos da Unilab, em greve por uma pauta de condições mínimas de permanência, como alimentação e moradia.

O ato em São Paulo no dia 14, reuniu 300 pessoas e 25 entidades, sindicatos e partidos. Em sua fala no ato, o deputado federal Rui Falcão (PT) reafirmou as ações de acolhimento aos migrantes: “Nós fizemos uma grande audiência pública em Brasília para tratar da questão dos migrantes, inclusive com a presença de representantes do nosso governo, existe um programa que se chama ‘Aqui é Brasil’ com duração de 1 ano, e nós já requeremos a sua continuidade”. Segundo Markus Sokol, do Comitê Nacional do DAP, “Agora é organizar uma volta articulada nacionalmente para uma audiência em Brasília na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, para acompanhar e cobrar as decisões e encaminhamentos da audiência de novembro, onde o governo participou.”
A luta continua!
Reuniões de Comitês de preparação da Jornada estão sendo convocadas nas próximas semanas para realizar um balanço e traçar iniciativas que de continuidade do movimento. O Comitê Nacional do Brasil, em contato com o Comitê promotor do México, farão uma analise do conjunto das atividades que será que comunicado.
Informações do Comitê Nacional da Jornada

