ICE OUT! – Minneapolis em greve

ÚLTIMA HORA: na manhã desta sexta-feira, as informações são que o movimento começou, apesar da temperatura de -6 graus celsius. A Foxnews mostra shoppings vazios, por exemplo, e confirma que centenas de negócios anunciaram que não abrirão hoje.

“Da solidariedade à Minneapolis à vitória contra a Avelo Airlines” foi o tema da reunião do dia 21 na qual 250 militantes do DSA participaram pelo zoom. Era antevéspera do Dia da Verdade e da Liberdade, a greve geral do dia 23, sexta-feira, em Minneapolis (estado de Minnesota).

À convite do DSA, estive presente para apresentar a proposta da Jornada Continental em Defesa do Direito à Migração e da Soberania Nacional. Após debate, varios oradores ficaram de levar a proposta para suas bases, inclusive Minneapolis.

A reunião começou avaliando o êxito do boicote da Avelo cujos voos de deportação terminam neste dia 27. No Brasil, começamos a discutir com sindicatos e parlamentares para constranger a Embraer, de quem Avelo encomendou 40 novos aviões para deportar, inclusive brasileiros. Mas a grande campanha nos EUA que que reduziu em 37% os voos da Avelo em 41 cidades, terminou vitoriosa. Agora o DSA vai para cima das outras aéreas do esquema.

O ponto central a situação após o assassinato à queima-roupa da poetisa Renee Good por Jonathan Ross, agente do ICE, em 7 de janeiro. Uma onda de manifestações partiu de Minneapolis para outros grandes centros, e na cidade são diários.

Há hoje uma rede de proteção construída para proteger os migrantes contra o ICE – René Good fazia isso no dia 7. Agora, pessoas que nunca participaram estão se engajando. “Aprendemos com a experiência de Los Angeles”, disse um militante. Cada bairro tem sua “rede de resposta rápida” permanentes. Como se vê nos vídeos, as suas armas são apitos e câmeras. Eles fazem “rondas coletivas para proteger os migrantes”, explicou. “Não estamos protestando, estamos lutando para deter o ICE”.

No processo, não-militantes passaram a usar materiais do DSA nos bairros. Na Câmara, “nossos vereadores estão tentando a decretação de um estado de emergência”. Também “monitoramos os movimentos do ICE quando saem para ir a um bairro”.  Afinal, “os migrantes tem medo de sair de casa ou do trabalho sozinhos”, daí que a conexão com os vizinhos é muito importante.

A rede de proteção criada, é um tipo de forma de auto-organização. Os sindicalistas do DSA contaram o apoio a esta luta na base, e que alguns sindicatos criaram as  suas próprias rondas. Face ao potente movimento de baixo, alguns sindicatos e associações mais combativos – serviços (lixo) e professores – indicaram a preparação da greve à qual aderiram outros e a Regional da central AFL-CIO.

O movimento leva aquele nome porque a lei americana proíbe greve interprofissional. Greves gerais, em geral regionais, são raras nos EUA. Em Minneapolis, a ultima foi a histórica greve geral de 1934 puxada pelos transportistas (Teamsters) que, ao preço de 2 mortos, obteve o reconhecimento do sindicato, aumento de salário e  redução da jornada. 100 mil compareceram ao funeral.

A revolta no país com o ICE é ampla, assim como a indignação com Trump. Já morreram 32 migrantes sob custódia do ICE. Minneapolis pode ser uma catalisador social e político.

A resistência e a solidariedade dos trabalhadores se conectam, e inspiram a preparação da Jornada Continental em Defesa do Direito à Migração, de 8 a 14 de março.

Neste momento, os olhos da movimento social estadunidense estão postos sobre o Minnesota.

Markus Sokol, membro do Comitê Nacional do DAP

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