Master, PCC, Bolsonaro, Tarcísio e instituições… tudo junto e misturado no sistema

As denúncias no entorno da liquidação pelo Banco Central, da investigação dos sócios e amigos o Banco Master na operação Operação Compliance Zero, vão além do “maior escândalo bancário” do país. Financiamento eleitoral, elos da Faria Lima com o crime organizado, foro privilegiado forçado no STF, fundos de previdência de servidores torrados em operações fraudulentas, governadores e presidentes de partidos intermediando negócios… todas essas conexões mostram uma teia de relações espalhada no meio financeiro e nas instituições da República.

A velocidade com que os elos se revelam podem tornar o acompanhamento dos fatos difícil, mas alguns marcadores dão o caminho das pedras. Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é sócio de Fabiano Campos Zettel, seu cunhado. Por sua vez Zettel, pastor da igreja Lagoinha, foi o maior doador pessoa física das campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022.

Tanto o presidente do PP, Ciro Nogueira, quanto o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, teriam ajudado a negociar a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB), que só não aconteceu porque foi impedida pelo BC. Ibaneis Rocha (MDB), governador do DF, já havia sancionado uma lei para autorizar a compra pelo BRB.

A relação com estados é grande. No Rio de Janeiro de Cláudio Castro (PL), mesmo com alertas do Tribunal de Contas do Estado, a Rioprevidência, fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões a 235 mil servidores aposentados e pensionistas, colocou 25% dos recursos aplicados em títulos ou fundos administrados pelo conglomerado de Vorcaro.

Em meio a tudo isso, se comunicam as operações Complience Zero (Master) e Carbono Oculto, onde vem à tona o fundo Reag. Esta última operação, investiga o uso de postos de combustíveis para lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). É a “Faria Lima” junta e misturada. Esta semana o Banco Central liquidou extrajudicialmente a Reag. Ligada ao Master, é uma das maiores administradoras de fundos de investimentos com mais de R$ 350 bi sob seu controle, e é acusada de gerir fundos de investimento usados pela facção para lavagem de dinheiro na Carbono Oculto.

No STF, Dias Toffoli “puxou” o processo para o STF, a pedido da defesa de Vorcaro. Normalmente, a Polícia Federal é quem faz a perícia de materiais apreendidos, mas nesse caso, quem nomeou os peritos foi o próprio ministro. Tóffoli claramente tentou blindar totalmente a investigação com “sigilo”, mas já teve que recuar em parte três vezes, frente ao BC e à PGR.

A investigação tramita no Supremo sob a frágil alegação de envolvimento de que um deputado federal negociou um imóvel com Vorcaro, o que não se completou. Mas Zettel, o cunhado de Vorcaro, foi sócio até a pouco de irmãos e primo de Toffoli em um resort no Paraná, onde Tóffoli veaneava.

Em 29 de novembro, Toffoli já viajara com um advogado do banqueiro à Lima (Peru) para assistir à final da Libertadores. Está tudo exalando mau cheiro.

O envolvimento das instituições e o avanço das máfias sobre a economia formal é evidente, maior talvez do que pudesse imaginar. O “mundo político” envolvido reflete no funcionamento das instituições e coloca uma conclusão incontornável, um esparadrapo é incapaz de curar tudo isso. As máfias terão seu candidato nas eleições de outubro, assim como tem o controle das instituições e suas regras.

Só uma profunda reforma, a começar por uma reforma política que acabe com o financiamento privado pode começar passar o país a limpo, afinal, quem financiou Bolsonaro e Tarcísio uma vez, fará de novo.

Marcelo Carlinimembro do Diretório Estadual do PT-RS

Leia também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *