“FORA ICE!”
As ruas de várias cidades nos Estados Unidos foram tomadas por grandes protestos após a morte de Renee Nicole Good, de 37 anos. Renee foi baleada por um agente do ICE no dia 7/1 em Mineápolis (Minnesota). Renee, mãe de três filhos, foi morta ao tentar apoiar seus vizinhos contra uma operação de caça a imigrantes no bairro central da cidade. Protestos foram registrados em Austin, Seattle, Nova York, Los Angeles além de Mineápolis e outros locais. Na última quarta-feira (14), um imigrante venezuelano foi atingido por um tiro quando tentava fugir dos agentes do ICE, também em Mineápolis.
Contra-ataque
As ações do ICE vem causando uma onda de indignação na cidade. Há pelo menos 3 mil agentes na região metropolitana, também conhecida com Cidades Gêmeas (Mineápolis e Saint Paul). Os agentes têm evitado grandes operações devido a pronta reação dos moradores e adotaram batidas menores, com dois ou três agentes sequestrando pessoas indiscriminadamente. Estão abordando pessoas em postos de gasolina e pontos de ônibus, parando carros e retirando pessoas à força, invadindo estabelecimentos comerciais. E agora começaram a ir de porta em porta sem mandato, além de manter sob custódia quem observa as ações.
Apesar da postura agressiva dos agentes do ICE, os moradores não estão se intimidando, segundo o Groundwork, grupo interno do DSA, “a sensação é de que a comunidade está travando uma contra-insurgência. Não só estamos ocupados, como também ajustamos nossas táticas diariamente, e eles ajustam as deles. A dimensão da infraestrutura de resposta rápida é impressionante. Milhares de pessoas estão nas ruas, a pé e de carro, em patrulhas nos horários de pico, participando de uma grande rede para monitorar e relatar avistamentos e escaladas da presença do ICE, para que a comunidade possa agir de acordo.”
Mais repressão do governo Trump
Para tentar conter a revolta do povo contra sua política migratória, Trump ameaçou ontem (15) instituir Lei da Insurreição, caso o Estado de Minnesota não impeça protestos contra o ICE. A lei dará a Trump plenos poderes para mobilizar as Forças Armadas e federalizar a Guarda Nacional para reprimir rebeliões, insurreição ou desordem civil.
Desde antes, como resposta à agressão de Trump, “um dia sem compras e sem trabalho” está sendo convocado para 23/01.
Uma pequena mas histórica vitória da mobilização
No dia 7/01, o jornal The Washington Post publicou que a Avelo Airlines encerrará os voos de deportação dos imigrantes presos pelo ICE nos EUA, a medida passa a valer a partir do dia 27 de janeiro.
A decisão foi fruto de meses de mobilizações das seções do DSA em conjunto com dezenas de grupos de imigrantes, trabalhistas, religiosos, estudantis e progressistas que organizaram ações de boicotes estratégicos e direcionados em todo o país.
No Brasil, o Comitê que prepara a Jornada de março pelo direito à migração integrou na sua agenda a discussão da Avelo, que encomendou vários aviões à Embraer (relembre aqui )
PH, com informações do Groundwork