Voto em Maia (DEM) enfraquece a luta contra o golpe e amplia a crise do PT

Indignou e revoltou os petistas, o grave erro cometido por deputados do PT no episódio da eleição do Presidente da Câmara.

Os golpistas, Temer e sua equipe, comemoram a vitória de Rodrigo Maia (DEM-RJ) e têm razão para isso. Golpista de primeira hora, Maia é o homem certo para acelerar a votação de todos os projetos de lei na Câmara Federal que atacam direitos dos trabalhadores e a soberania nacional.

A candidatura de Maia teria sido costurada, segundo matérias da impressa, não desmentidas, diretamente por Carlos Sampaio (PSDB), deputado que pediu a extinção do PT, e Orlando Silva (PCdoB),este em discussão com Lula,a pretexto de isolar Eduardo Cunha.

Numa questão central no combate ao golpe, nenhuma instância partidária se reuniu para discutir e decidir a orientação da bancada nessa votação que definiu, inclusive, quem é o sucessor da presidência da República!

A bancada do PT, em 11 de julho, decidiu não embarcar na candidatura de Maia, pois não daria voto a nenhum candidato golpista. Mas, em 13 de julho, metade da bancada – de todas as grandes correntes do PT –  vota no golpista Maia! Já no primeiro turno a bancada se dividiu entre Marcelo Castro (PMDB), Luiza Erundina (PSOL) e Orlando Silva (PCdoB), uma candidatura lançada na undécima hora, com o objetivo de levar Maia ao segundo turno.

Fragmentada também no segundo turno, pois 25 deputados de todas as grandes correntes, corretamente, se retiraram do plenário, o fato é que metade da bancadacomprometeu o PT com a vitória dos golpistas Maia e Temer!

Grave erro que deve servir de reflexão, e reação, a todos os petistas. Como é possível?

No momento em que o partido se prepara para enfrentar as eleições municipais – para as quais a primeira condição é não apoiar golpistas; num momento que se inicia o processo de preparação de seu encontro extraordinário, em meio à luta contra o golpe, esse grave erro joga luz aos problemas que nosso partido está chamado a resolver para se reconstruir.

O Comitê Nacional do Diálogo e Ação Petista, sem fixar posição sobre as várias táticas parlamentares possíveis tem, não obstante, sobre esse episódio, uma posição clara: em nenhum caso o PT – ou qualquer deputado – deveria ter contribuído para eleger como presidente da Câmara um golpista que vai comandar a votação de projetos de retirada de direitos e ataques aos trabalhadores, contra o quê a CUT discute a preparação de uma greve geral.

Afonso Florence (DS), líder da bancada, justificou o voto em Maia, explicando que “Quem está fora do Congresso não pode também avaliar aspectos da luta parlamentar”!!!

Esse episódio agrava a crise de nosso partido, crise cuja raiz é a adaptação às instituições apodrecidas e que hoje patrocinam o golpe, e que leva a alianças e acordos com partidos cujos interesses são opostos aos compromissos do PT.

São Paulo, 15 de julho, 2016

Comitê Nacional Diálogo e Ação Petista