Repúdio à invasão da sede do Partido dos Trabalhadores

Repudiamos o fato inusitado da maior gravidade que foi a ação de invasão da sede nacional do Partido dos Trabalhadores, no último dia 23 de junho, no bojo da “Operação Custo Brasil”, orquestrada pelo Ministério Publico Federal paulista com o juiz da 6ª Vara Federal de São Paulo, Paulo Bueno de Azevedo e executada pela Polícia Federal.

Sem precedente desde o fim da ditadura militar há três décadas, a invasão, agora, da sede de um partido político, no caso o PT, utilizou o pretexto da apreensão de materiais, não obstante, disponíveis, o que é um ultraje.

A Operação incluiu ordens de prisão preventiva e condução coercitiva de lideranças do PT, com clara violação de competência na ação de “busca e apreensão” na residência funcional da senadora Gleisi Hoffman, em Brasília, portanto, violação uma de dependência do Senado da República.

As ações são muito mais do que um espetáculo diversionista da opinião pública que, por outro lado, vê envolvidos em pesadas acusações de corrupção a alta cúpula do PMDB de Cunha, inclusive o usurpador vice-presidente Michel Temer, assim como o PSDB do senador Aécio, o PSB de Eduardo Campos (falecido) e a Rede de Marina, entre outros.

É mais, também, do que apenas tentar reavivar a sustentação do processo de impeachment da presidente legítima, Dilma Roussef, ora em tramite de julgamento no Senado.

Às seis horas da manhã, numa ação de comando, homens fortemente armados em traje de combate camuflado, junto com a infalível Rede Globo, chegaram, entraram e bloquearam a entrada da sede do PT ao longo de 8 horas. As imagens foram, depois, expostas e repetidas à exaustão pelas várias mídias.

O objetivo das ações é criminalizar o PT e intimidar a sua militância pelo país afora, atemorizando as organizações populares em geral, no momento em que o governo golpista multiplica ataques aos direitos sociais e garantias nacionais duramente conquistados.

Que ninguém mais se sinta protegido por direitos democráticos, a polícia tudo pode, essa é a mensagem. Como quando, há poucos meses, a Polícia Militar paulista, do então Secretario de Seguramça, hoje ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, invadiu a subsede do Sindicato dos Metalúrgicos, em Diadema.

Estamos assistindo a uma escalada, como traços de ditadura do Judiciário, rumo a um anti-democrático estado de exceção.

Estas ações pedem uma reação à altura do Partido dos Trabalhadores e de todos os democratas.

Comitê Nacional do Diálogo e Ação Petista

São Paulo, 25 de junho de 2016