Numa situação alarmante, sindicalistas exigem mudanças e o PT de volta para os trabalhadores

Quase 400 sindicalistas, de 19 estados e do Distrito Federal, realizaram dia 27 de novembro, em São Paulo, o Encontro Nacional de Sindicalistas do PT, reafirmando, num novo momento, aquilo que o Manifesto dos Sindicalistas petistas e cutistas já havia expressado em junho: o PT precisa voltar para a classe trabalhadora, é urgente retomar as bandeiras do partido, mudar a política econômica, o que significa acabar com os planos de ajuste exigidos pelo mercado financeiro e entregar a carta de demissão ao ministro Joaquim Levy.

O Encontro dos Sindicalistas foi um ponto de apoio importantíssimo para a continuidade da luta dos trabalhadores, que neste ano ocuparam as ruas para exigir o fim do ajuste e o cumprimento do programa que garantiu a reeleição de Dilma em 2014. Como disse o companheiro Júlio Turra, do Diálogo e Ação Petista: “Já passou do tempo de mudar de política econômica, os estragos que a atual política já fez são enormes e combina-se a essa ofensiva econômica uma ofensiva política dos nossos inimigos de classe. Manobras de bastidores não nos vão salvar companheiros, nós temos que retomar a relação com o movimento sindical, com o movimento operário que deu origem a esse partido, com a juventude e com os movimentos sociais.” O Diálogo e Ação Petista teve um papel de destaque na convocação do Encontro e na implementação de suas decisões (ver matéria nesta página).

            O Encontro foi aberto pelo secretário sindical nacional do PT, Indalécio Wanderley Silva, e com uma saudação do presidente nacional do partido, Rui Falcão. Houve intervenções de João Felício (presidente da CSI), que falou em nome dos iniciadores do Manifesto de junho sobre a sua atualidade, e de Luiz Eduardo Greenhalgh, que detalhou os objetivos políticos da Operação Lava Jato.

O Encontro de Sindicalistas terá continuidade. Foi decidido constituir uma Coordenação de Sindicalistas Petistas para, em conjunto com o setorial sindical do PT, contribuir para ampliar a participação dos sindicalistas na vida do partido, para ter “o PT de volta para a classe trabalhadora”. Decidiu-se igualmente a participação ativa nas manifestações do dia 16 de dezembro: contra o golpe, contra o ajuste de Levy!


 

Declaração Final do Encontro de Sindicalistas Petistas

“Declaração a todos e todas petistas

Defender as Conquistas Sociais e a Classe Trabalhadora

Em junho de 2015, por ocasião do 5º Congresso Nacional do PT, divulgamos o manifesto “O PT de volta para a classe trabalhadora”, de iniciativa de dirigentes cutistas filiados ao nosso partido e apoiado por mais de 400 lideranças sindicais de todo o país.

Neste final de 2015, primeiro ano de um segundo mandato conquistado por Dilma Roussef do PT, reeleita graças ao engajamento do movimento sindical e popular, em particular no 2º turno das eleições presidenciais de 2014, no combate ao retrocesso e para aprofundar as reformas populares, estamos diante de uma crise política e econômica que impacta o Brasil e o nosso partido.

O resultado é que fecharemos o ano com altas taxas de desemprego (chegando a 20% entre os jovens de 18 a 24 anos), retração da atividade econômica (crescimento negativo do PIB) e uma ofensiva das classes dominantes – utilizando o Judiciário, a grande mídia, partidos de oposição e inclusive da coalizão de governo – para destruir o nosso partido, construído para dar voz à classe trabalhadora. Isso para não falar das ansiadas reformas populares (reforma política democrática, agrária, urbana, tributária e democratização dos meios de comunicação), que seguem bloqueadas pelo Congresso mais conservador desde o final da ditadura militar.

O manifesto dos sindicalistas ao congresso do PT já alertava que:

“Consideramos que a política de ajuste fiscal regressivo e recessivo inaugurada com a nomeação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda coloca o PT contra a classe trabalhadora e as camadas populares que sempre foram sua principal base de apoio. Trata-se de uma política econômica que diminui o papel do Estado, corta investimentos e eleva juros, acabando por restringir direitos sociais, rebaixar salários e aumentar o desemprego, com impactos negativos no PIB.

Sabemos o que ocorreu na história recente com partidos de esquerda que aplicaram políticas de ajuste fiscal inspiradas pelo FMI, como se viu em alguns países da Europa: entraram em crise, foram derrotados em eleições, perderam sua base social. Não queremos que o mesmo aconteça com o PT! “

É mais que urgente mudar de política econômica

Se não houver uma mudança urgente da atual política econômica, os estragos que ela já fez não serão recuperados a tempo de impedir um desastre ainda maior para a nação e para o futuro de nosso partido. É hora de retomar um diálogo positivo com a base social que garantiu a nossa vitória eleitoral de 2014 e com as organizações de luta de nosso povo que a representam.

Nós sabemos que não é apenas nossa a preocupação de mudar o rumo do governo que ajudamos a eleger. Centenas de economistas, intelectuais, artistas, lideranças dos movimentos populares, da juventude e dos idosos, vêm se pronunciando no mesmo sentido. Precisamos concentrar esforços na unificação das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, contra a direita e por mais direitos, por uma nova política econômica.

Mas 2015 está se encerrando com o mundo acompanhando o Crime Ambiental de Mariana (MG),também com a luta dos estudantes secundaristas e professores contra o governo Alckmin (SP), para manter as escolas funcionando, com a greve dos bancários que arrancaram reivindicações e defenderam seus salários, a greve dos petroleiros em defesa da Petrobras e do Pré-sal para a nação, a Marcha das Mulheres Negras e a mobilização das mulheres exigindo “Fora Cunha”, de outras inúmeras mobilizações dos trabalhadores em Educação em todo o país e de greves em defesa de salários, emprego e direitos ameaçados pela política de ajuste fiscal que só beneficia banqueiros e especuladores, demonstrando que a classe trabalhadora e os setores populares estão em luta!

Como dizia o Manifesto dos Sindicalistas de junho: “É preciso que o PT afirme a necessidade de o Estado atuar a favor do crescimento, é necessário reduzir a taxa de juros, fazer com que as tarifas públicas contribuam para a queda da inflação e implementar programas governamentais de incentivo à atividade produtiva. O sistema tributário deve ser progressivo, taxando grandes fortunas e heranças, com uma reforma que desonere salários, taxe lucros, dividendos e ganhos com a especulação financeira, ao mesmo tempo que se estimule o aumento de renda dos mais pobre. Enfim, uma agenda política positiva, que tenha no centro a valorização do trabalho, com uma política econômica anti-neoliberal que implica a democratização do Estado e a realização de reformas estruturais”.

Os sindicalistas petistas reunidos em 27 de novembro em São Paulo, queremos que 2016 seja o ano da virada, seja na situação econômica, seja na situação política. Não temos outra intenção a não ser a de ajudar a classe trabalhadora e o seu partido histórico, o nosso PT, a superar a crise em que se encontra e reafirmamos a nossa disposição em assumir as nossas responsabilidades nessa luta!

Sabemos quanto a vida dos trabalhadores e camadas populares é prejudicada com a corrupção. Nosso partido, o PT, propõe medidas de responsabilização de irregularidades e transparência no uso do recurso público, além de combater e responsabilizar todos que cometeram algum ato de corrupção, desde que devidamente comprovado!

Mas, como diz a cartilha “Em defesa do PT”, publicada pela direção de nosso partido:

“Desde a campanha eleitoral de 2014, nossos adversários escolheram as investigações da chamada “Operação Lava Jato” para insistir em criminalizar o PT. Repetindo o método da Ação Penal 470, tentam atribuir ao PT – e exclusivamente ao PT – os crimes de bandidos confessos, vinculados a diversos partidos, inclusive da oposição que agiam impunemente há décadas e hoje negociam depoimentos em troca de benefícios, sem apresentar provas do que dizem”.

O PT de volta para a classe trabalhadora

“Só sairemos dessa crise se retomarmos a nossa tradição de partido da classe trabalhadora, e organização da militância para a luta social e política” (manifesto de junho).

Resolvemos, neste sentido, constituir uma Coordenação de Sindicalistas Petistas que, trabalhando em colaboração com o setorial sindical do PT, ajude na ampliação da nossa participação na vida e nas instâncias partidárias para ter “o PT de volta para a classe trabalhadora”.

São Paulo, 27 de novembro de 2015”