Manifesto de Alarme!

Comitê Nacional do Diálogo e Ação Petista
19 de outubro de 2015

Um ano após a vitória de Dilma do PT no 2o turno, a situação é alarmante.

O compromisso de avançar as reformas populares – política, agrária, tributária etc. – foi deixado de lado. A situação social se deteriora com o ajuste fiscal do ministro Levy para fazer superávit primário e pagar os bancos.

É nessas condições que o golpismo avança, na oposição oficial e na coalizão de governo.

Juros ainda mais altos, novos cortes e restrições aos direitos. O IBGE já registra mais 1 milhão de desempregados no último ano. Os patrões aproveitam para impor reajustes salariais abaixo da inflação. Programas sociais, como Minha Casa Minha Vida e Farmácia Popular, são reduzidos. Estados e municípios estão em dificuldades.

O país afunda na recessão. A política econômica executa pontos do programa dos derrotados. As conquistas dos anos anteriores estão sendo revertidas. A frustração derruba a popularidade da presidente.

Dessa forma, enquanto o governo arrasta a direção e a bancada do PT no apoio ao ajuste fiscal, o partido perde a capacidade de mobilização, e a direita e os golpistas avançam. Sua meta é a “extinção” do PT, por tudo o que ele representa. Assim, o tesoureiro nacional, companheiro Vaccari, está preso –  condenado a 15 anos sem provas –, sedes são incendiadas, militantes são intimidados e o fundo partidário é cortado arbitrariamente.

A justiça, os procuradores e a Polícia Federal, com o apoio dos barões da mídia, utilizam a Operação Lava Jato – usando delações premiadas e a tortura psicológica que deviam ter acabado com a ditadura – para, a pretexto do combate à corrupção, atacar a organização dos trabalhadores e a economia nacional.

O governo está ameaçado de impeachment pela oposição golpista (PSDB, DEM etc.) que instrumentaliza tribunais (TCU, TSE) e se apoia no presidente da Câmara, Cunha (PMDB)- contra quem o PT não deve hesitar em representar – como ainda em outros setores do PMDB de Temer e Renan, que fazem jogo duplo.

Assim, quanto mais o governo cede, mais o “mercado” exige. A cada nota das “agências de risco”, instrumentos dos especuladores, mais correria no governo. Quanto mais espaço se dá ao PMDB e companhia no ministério, mais eles chantageiam o governo no Congresso. É o caminho do desastre!

“NEM MAIS UMA SEMANA”

Sabemos da crise da capitalismo. Vemos o imperialismo e seus agentes em toda a América Latina, tentando recuperar posições e desbancar certos governos. Mas aqui, o governo não sabe, ou esqueceu, que a mobilização popular é sua melhor defesa. 13 anos de governo tentando conciliar as classes, sem mobilizar a base social, deram nisso!

Afinal, com essa política econômica, como mobilizar o povo? “As pessoas vão defender a Dilma por quê”, perguntou o presidente da Fundação Perseu Abramo. Aos delegados do Congresso da CUT, dia 13 de outubro, Lula disse que “o país não pode ficar mais uma semana discutindo cortes“.

Chegamos a uma situação de limite!

Não precisa esperar a eleição de 2016 para saber o que acontecerá, se continuar assim.

Dilma, no mesmo Congresso da CUT, convocou os trabalhadores a enfrentar o impeachment. Os 2 mil delegados não hesitaram em defender o seu mandato (“não vai ter golpe!“, gritavam), assim como exigir a mudança da política econômica de juros, cortes e superávit (“fora Levy!“, repetiam).

É o que pensam o MST, a CMP, a UNE e o MTST, todos que elegeram Dilma no 2o. turno.

Mas Dilma, respondeu ao presidente do PT, Rui Falcão, que “Levy fica porque concorda com a política econômica dele“. É inaceitável!

  • Ou Dilma muda a política econômica, ou o PT deve mudar sua relação com o governo dela!
  • Em defesa do povo trabalhador, está passando da hora de fazer a coisa certa!
  • “Nem mais uma semana“, Dilma tem que mudar essa política econômica e demitir Levy!

É o que o PT, direção, bancada, governadores, prefeitos e Lula, devem dizer a Dilma, sem meias-palavras e nem para trocar seis por meia-dúzia: ou ela muda, ou muda o PT

OUTRA POLÍTICA

Da nossa parte, Diálogo e Ação Petista, vamos agir como o PT agia!

Aprofundaremos a luta por outra política, com o fim do superávit primário, a derrubada dos juros e a centralização do câmbio, para proteger a economia nacional e recuperar a indústria, combater a terceirização, e avançar para a reforma política que uma Constituinte deve fazer, abrindo caminho para as reformas populares.

Nessa via, o governo do PT encabeçado por Dilma pode ainda recuperar o apoio popular. Não é fácil, certo, mas o caminho atual é uma tragédia anunciada, como aconteceu na Grécia e outros países, onde governos de esquerda aplicaram o ajuste da direita, perderam sua base social e se perderam.

INICIATIVAS

Vamos continuar na rua, como o PT fazia, apoiando todas as mobilizações e greves reivindicativas, como fazemos desde a histórica jornada da CUT de 13 de março, “em defesa da Petrobras, dos Direitos e da Reforma Política“.

Estamos atentos às campanhas salariais – como os bancários em greve contra os bancos (representados por Levy), os petroleiros e outras – que unidas podem derrotar o ajuste.

Estamos atentos à agenda da Frente Brasil Popular para ajudar a unificar todas as frentes e setores antiimperialistas contra o golpe e por reivindicações concretas.

Mas em 35 anos também aprendemos que é necessário, é fundamental um partido para organizar os trabalhadores.

Por isso, apoiamos firmemente o Encontro de Sindicalistas do PT de 27/11, convocado por 31 dirigentes da CUT, com base no seu manifesto “O PT de volta para os trabalhadores” apresentado ao 5o Congresso do PT. Vamos ajudar a reerguer a força vital da continuidade do PT!

Por fim, nos dirigimos aos petistas que, como nós, não desistem do partido dos trabalhadores para os trabalhadores:

  • compareçam às reuniões dos Grupos de Base do DAP em todo o país, vamos agir como o PT agia, vamos estruturar a nossa força, de baixo para cima, como o PT fazia.