Para trazer o PT de volta para os trabalhadores, sindicalistas petistas propõe encontro nacional

Um debate com sindicalistas, promovido pelo Diálogo e Ação Petista em São Paulo, concluiu com um apelo aos membros petistas da Executiva Nacional da CUT para que promova um encontro nacional de sindicalistas do partido. A razão é uma só: o PT precisa mudar sua política e voltar para os trabalhadores.

A moção aprovada ao final do debate, por unanimidade, é clara:

“Aos 31 companheiros petistas da Executiva Nacional da CUT:

Reunidos em 19/08/15 em São Paulo discutimos o Manifesto de Sindicalistas CUTistas e PeTistas “O PT de volta para a classe trabalhadora”, apresentado aos delegados do 5o. Congresso Nacional do PT.

E sugerimos aos companheiros a convocação de um Encontro Nacional de Sindicalistas do PT onde possamos continuar a discussão proposta neste Manifesto”

É urgente essa discussão, como ficou claro no debate, de cuja mesa fizeram parte

Juvandia Moreira (presidente Sindicato dos Bancários SP), Sergio Antiqueira (presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de SP), Douglas Izzo (vice-presidente da CUT-SP, coordenador da Macro Alto Tietê do PT); João B Gomes (secretári de. Políticas Sociais da CUT-SP), Cibele Vieira (Sindicato dos Petroleiros de SP) e Licio Lobo (Sindicato dos Arquitetos de SP).

Na véspera das manifestações de 20 de agosto, quando as centrais sindicais, movimentos populares e partidos de esquerda disseram não ao golpe, não ao ajuste de Renan-Levy, reformas populares e nenhum direito a menos, o debate com os sindicalistas deixou clara uma realidade vital para os trabalhadores: a necessidade de um partido. Este partido é o PT, e é preciso que ele volte para os trabalhadores, como afirmava o Manifesto dos Sindicalistas levado ao 5º Congresso.

João Gomes, abrindo o debate, disse que “o Manifesto continua atual. Precisamos jos apropriar do PT e trazê-lo de volta para a classe, que é quem sofre com as medidas de ajuste”. Gomes citou o encontro da presidente Dilma com os movimentos sociais, no qual o presidente da CUT, Vágner Freitas, disse claramente que os trabalhadores eram contra o Plano Levy e agora contra a “agenda Brasil”, de Renan-Levy, “um plano de retrocesso”.

Maria Rocha, da Executiva Municipal do PT de SP, informou da invasão da sede do DM, e que no dia 19 de setembro, às 15h na Praça da Sé, está sendo organizado “um grande ato em defesa do Partido dos Trabalhadores, que tem de ser estender a nível nacional, essa defesa, pois não dá para continuar assistindo o terrorismo contra o nosso partido sem reagir. O que está em jogo é o PT”.

Douglas Izzo criticou a burocratização do PT: “O PT está organizado para ganhar eleições, se distancia do debate político com sua base social. Isso burocratiza o partido e reforça os mandatos. Todos aqui somos sindicalistas e sabemos da dificuldade de construir o diálogo no PT. A gente incomoda, ‘ih, lá vem o professor’, pois nosso debate deixou de existir dentro do PT. Nesse momento de crise do PT e de ataques ao PT, nós, do movimento sindical temos de ocupar nosso lugar, o que não acontece hoje, para superar a dificuldade que é hoje no PT fazer o debate de acordo com a pauta da classe trabalhadora”.

Segundo Sergio Antiqueira, “a gente elegeu a Dilma e logo no inicio do mandato recebemos uma porrada do governo, que são as MPs, e daí lembro que um militante da base numa assembléia falou: ‘a direita não quer o golpe, ele já foi dado’. O golpe é o seqüestro do governo Dilma pelo Judiciário, Legislativo e pela mídia. Aí foge para a mão do Renan Calheiros e nos apresenta uma pauta indicando que saída escolhida é pela direita. Fica difícil fazer a defesa”.

Para Lício Lobo “o PT está sob ataque cerrado, o momento mais duro de sua história, com a burguesia cercando o partido para sua aniquilação e, ao mesmo tempo, vemos o PT com uma inabilidade muito grande de enfrentar a crise. A classe trabalhadora está disposta a lutar, desde as demissões na Mercedes no início do ano e das greves, demonstrou isso. A crise se reflete no desemprego e isso tem a ver com o ministro Levy da economia. Temos de reagir e discutir no PT, esse manifesto que assinamos ajuda a fazer o debate e um encontro de sindicalistas ajuda”.

A vereadora Juliana Cardoso disse que  “estamos acuados com as nossas pautas. Dilma se elegeu dando seta para a esquerda e depois foi para direita, sem ao menos dar seta, sem avisar. Aí a gente, do PT, fica sem pauta, pois os movimentos sociais, os sindicatos tem suas pautas, para que as conquistas avancem. Mas quando o Lula se reúne com o movimento para tratar da educação, no outro dia aparece por parte do governo, um corte imenso na área. Uma noite ela fala com as mulheres em Brasília e no outro dia de manhã, apresenta um projeto da direita. No partido, quando o que rege é a governabilidade, você perde o eixo da política. Por isso temos de retomar  a discussão e o poder de mobilização”.

Juvandia Moreira contou que “no dia 13 (de março) sofremos a maior pressão do governo e do PT, prá não irmos para a rua, o PT chegou a desconvocar, mas o PT Municipal, temos de fazer justiça, manteve mobilizou e organizou reunião com presidentes dos DZs e incentivou o povo a ir. Eu tenho claro que a política econômica gera recessão. O Levy é um cara dos bancos, eles querem mesmo a recessão e o desemprego, para fazer o ajuste da massa salarial do custo do trabalho. O governo já gastou muito mais do que o ajuste, só com o pagamento dos juros para os bancos, que só ganham com a crise. São mais de 30 bilhões de lucro líquido dos bancos no primeiro trimestre, só dos grandes bancos, é muito dinheiro que está sendo tirado da sociedade, através da taxa Selic”.

Cibele Vieira completou: “A dificuldade é muito grande, não só na questão das alianças que o PT fez, mas também nas lutas, em particular junto a um publico mais jovem, pois  nós petroleiros combatemos o projeto do Serra que é entrega do Pré-Sal, mas tem também o desmonte da Petrobras, que até 2018 quer vender 30%. E isso não é o PSDB, mas o governo do PT fazendo”.

Um militante deu um depoimento importante: “Barramos o pregão da privatização da funerária pela quarta vez. Nós é que com a luta enterramos o pregão, contra o prefeito”. O PT não pode aplicar o ajuste exigindo pelo mercado financeiro. Caso contrário, perde de vez sua base social, razão de ser de sua existência.