Greve dos correios segue forte na Bahia

O Diálogo e Ação Petista ouviu petistas que estão na linha de frente da greve dos Correios em três cidades baianas.Veja quais são as principais pautas da categoria, as expectativas com a greve e o quadro do movimento paredista em cada cidade.

Vitória da Conquista

Carlos Alberto Moreira, diretor sindical do Sudoeste: A mobilização em Vitória da Conquista está alta, cerca de 70% dos trabalhadores então na greve, respeitando a legislação de manter os 30% de atendimentos para necessidades essenciais, como a entrega de medicamentos e insumos hospitalares. As principais pautas são a não privatização dos Correios, queremos manter essa empresa pública e de qualidade, para continuar atendendo a população de forma homogênea, pois com a privatização, os pequenos municípios ficarão sem atendimento, além do que os valores de postagem ficarão exorbitantes. Os Correios prestam um serviço essencial, inclusive nos rincões do país. Nenhuma empresa privada manterá está estrutura de logística e diversas regiões podem ser afetadas com a privatização. Uma outra reivindicação é a manutenção do nosso acordo coletivo que se firmou em 2019 através de acerto com o presidente do TST e que teria validade até 2021, mas foi quebrado unilateralmente pela atual administração da empresa junto ao STF, transversalmente com o ministro Días Toffoli, a quebra desse acordo se traduz em retirada de direitos trabalhistas que conquistamos com muita luta ao longo do tempo. A realidade da pandemia trouxe o crescimento do e-comerce, aumentando as compras na internet e o fluxo postal. Não se justifica a retirada de direitos e benefícios. O trabalhador não deve ser “demonizado” e transformado num “vilão”. Não ganhamos super salários. Estamos interessados numa política que veja toda a importância da empresa e invista na melhoria dos serviços prestados. Estamos sobrecarregados com o aumento das encomendas. A empresa pode se adequar à nova demanda e oferecer um serviço de excelência. Estamos interessados nesta visão e o desmantelamento desta empresa pública pode aumentar tarifas e desassistir diversas regiões com o serviço postal.

Amargosa

Maria Aparecida Santana, funcionária dos CORREIOS e pré-candidata a vereadora pelo PT na cidade de Amargosa: “A mobilização daqui da cidade de Amargosa tá muito forte: dos 6  funcionários que estão trabalhando, 4 aderiram à greve. Nós mobilizamos hoje em frente da  agência. Amanhã vamos nos reunir novamente com cartazes em frente da agência. Unidos somos mais forte contra esse governo que quer privatizar os correios e tirar os nossos direitos nesse período pandemia onde estamos trabalhando de forma exaustiva e também colocando em risco de contaminação (pelo coronavírus) dos seus funcionários”

Itaberaba

Osvaldo Rodrigues, diretor do SINCOTELBA e presidente do PT de Itaberaba: A greve está forte. Em Itaberaba tem a adesão de 100% dos carteiros e atendentes. Tanto a Agência quanto a Unidade de Distribuição estão funcionando apenas internamente com o pessoal de suporte. Os trabalhadores reivindicam a manutenção do Acordo Coletivo de Trabalho com todas as conquistas históricas que estão sendo destruídas pelo governo Bolsonaro. Estão sendo reivindicadas também condições seguras de trabalho, especialmente durante esta pandemia. Faltam nas unidades EPIs necessários para a proteção dos trabalhadores, tais como protetores em acrílicos, máscaras, álcool em gel e sabonete líquido suficientes para todos os funcionários. Além disso, a luta é contra a privatização da empresa, e em defesa dos serviços públicos. O governo Bolsonaro desde que assumiu vem implementando a destruição dos serviços públicos no país, atacando os trabalhadores, retirando direitos, e entregando o patrimônio público brasileiro ao capital estrangeiro. Sobre o Acordo Coletivo, o TST determinou no ano passado a vigência de dois anos, porém através de uma liminar concedida pelo presidente do STF, Dias Toffoli, e confirmada posteriormente pelo plenário, esta vigência foi reduzida para um ano. Esta mesma liminar alterou o compartilhamento do custeio do plano de saúde aumentando os custos para o trabalhador o que fez com que cerca de 15 mil trabalhadores abandonassem o plano. Por conta da grande adesão à greve a empresa ajuizou no TST nesta terça-feira (25) um pedido de dissídio coletivo. Até o momento sem data prevista para audiência de conciliação.

A saída

A saída para os trabalhadores é ampliar a mobilização, fortalecer ainda mais a greve, buscar a unidade com outras categorias que estão tendo suas conquistas destruídas, e construir a luta em defesa dos direitos, dos serviços públicos, contra as privatizações. Unificar a luta pra derrotar o governo Bolsonaro e recuperar os direitos.

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