DAP Porto Alegre discute eleição municipal

Companheiros e companheiras,

As eleições municipais deste ano serão mais do que apenas uma discussão de temas locais. Em 2020, teremos mais do nunca a nacionalização do debate. Não existe saída para os municípios que não passe por derrotar a pauta do governo Bolsonaro. Certo estão os servidores das três esferas que tem se unificado em grandes mobilizações em Porto Alegre, apontando que Marchezan, Eduardo Leite, e Bolsonaro aplicam a mesma política de destruição dos serviços públicos e dos direitos dos trabalhadores.

Razão assiste a Lula quando afirma que essas eleições serão de polarização do PT com o Bolsonaro. O PT é o partido que tem condições de enfrentar o Bolsonaro, e o povo espera do PT que esteja na linha de frente dessa luta.

Por isso, qualquer debate sobre nossa política de alianças passa por avaliar como chegamos a essa conjuntura. É necessário ter clareza do papel da Lava a Jato, que não foi de combater a corrupção, mas de dar um golpe e permitir a destruição dos direitos dos trabalhadores e colocar o Brasil em total subserviência aos interesses dos EUA. Quem não se horrorizou com a visita do diplomata estadunidense ao TRF4? Um poder executivo estrangeiro se dirigindo e orientando diretamente o judiciário de outro país. Prática que já se apresentava desde o início da Lava Jato.

A insistente luta dos golpistas para tentar destruir o PT, impedir Lula de participar das eleições de 2018, e a pressão dos que defendem que o PT “tem que virar a página Lula”, demonstra que os organizadores do golpe sabem que o PT é o principal obstáculo político a aplicação das reformas que destroem direitos.

Assusta-nos que membros do partido tenham tomado a palavra no diretório municipal para defender entregar a chapa de Porto Alegre a setores que se apresentam de esquerda, mas que defenderam a prisão do Lula, ou se calaram diante tamanha injustiça. Infelizmente, na luta contra o golpe, o PSOL do Rio Grande do Sul tem se colocado do outro lado. Ainda, foi errado o fato da direção executiva municipal do PT ter retirado a menção ao Lula da sua resolução do dia 18 de janeiro. A executiva abriu mão de defender o Lula em nome das alianças. De modo algum podemos aceitar uma unidade da esquerda cuja condição seja esquecer o Lula. Política essa que foi preparada por setores de nosso partido nas eleições do SIMPA.

Por outro lado, existem os que defendem que o PT tem que fazer as alianças mais amplas possíveis, com setores supostamente democráticos em nome da luta contra o governo Bolsonaro. Mas como fazer aliança com o «centrão» de Rodrigo Maia, que organizou a aprovação da reforma trabalhista de Temer e recentemente a reforma da previdência de Bolsonaro? Como cogitar fazer aliança com Melo do PMDB, aliado do Leite, que aplica a política do Bolsonaro no RS?

Não temos dúvida, o PT precisa se apresentar como tal nas eleições. Neste momento o lugar do PT é de ser um instrumento da classe trabalhadora para combater as políticas que atacam os trabalhadores. Neste contexto, o papel do Lula toma um lugar central. A defesa da liberdade do Lula, e a anulação dos processos contra ele, não é uma demanda interna do PT, pois a perseguição a Lula teve e tem como objetivo permitir a aprovação das reformas que retiram direitos dos trabalhadores. Colocar a defesa do Lula no centro é se colocar na linha de frente contra a política do Golpe. Não é possível, portanto, alianças com aqueles que defendem a prisão de Lula, e nem com os que defendem a política da Lava Jato. A defesa da democracia é a defesa da liberdade do Lula, a defesa da democracia é se posicionar contra a destruição dos direitos dos trabalhadores.

Precisamos de uma candidatura que defenda os interesses do povo, portanto, estão errados os governadores do nosso partido que realizam em seus Estados reformas da previdência, seguindo e se adaptando a política de Bolsonaro.

Em Porto Alegre temos a responsabilidade de nos apresentarmos enquanto PT. O PT deve participar das eleições com o seu rosto e a sua política. Nisso concordamos com Lula em entrevista ao Blogue de Fernando Morais, quando disse que gosta de Manuela d’Ávila (PCdoB/RS) e de Marcelo Freixo (PSOL/RJ), mas, no entanto, que o PT não pode prescindir de ter candidaturas próprias nessas capitais (entrevista Blog Nocaute). Em Porto Alegre, conforme o Lula: “o PT tem dois ex-governadores, três ex-prefeitos, um monte de deputados, um vice-governador, um ministro. Esses caras não podem ser candidatos? Sejam candidatos e, se não der certo, apoiem a Manuela.”

O PT sempre defendeu as eleições em dois turnos, sendo o primeiro turno para que cada posição apareça, para que tudo seja posto a mesa. Além disso, o Estado do Rio Grande do Sul inteiro discutirá o que acontecer na capital. Ao não apresentar nome na capital, o povo de todo Rio Grande do Sul se questionará onde está o PT, e o que o PT está defendendo. Isso não significa não fazer alianças, mas apresentar a política nas eleições, compreendendo o nosso papel de ser o principal instrumento dos trabalhadores para lutarem pelos seus direitos.

Assim, propomos que nosso partido:

  • se apresente com candidatura própria em Porto Alegre nas eleições municipais de 2020;
  • estabeleça alianças que defendam a liberdade e a anulação dos processos contra o Lula;
  • apresente um programa de defesa dos direitos dos trabalhadores e denuncie e resista à EC 95/2016 e à reforma da previdência;
  • proponha a defesa do serviço público, com medidas como a estatização dos ônibus em Porto Alegre através da Carris assumindo paulatinamente as linhas privadas.

Entre em contato com o DAP para reforçar este combate: (51) 99686.3664

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